
(atenção, o texto abaixo contém spoilers sobre o final de Life on Mars)
Gene Hunt está de volta! A BBC aproveitou o sucesso de Life On Mars e do fantástico personagem de Philip Glenister e encomendou uma sequência a toque de caixa (‘toque de caixa’, para a TV inglesa, é produzir 8 episódios em 10 meses, vejam bem). Se nosso elo com a Manchester de 1973 era Sam Tyler (John Simm), agora o papel é desempenhado pela bela Alex Drakes (Keeley Hawes), uma policial que trabalha com profiles que estudou a fundo o caso de Tyler, que se suicidou em 2006.
Enquanto dirige por Londres com sua filha Molly, ela recebe um aviso pelo rádio. Um homem (Arthur Layton) está com uma refém. Depois de uma tensa negociação, tudo parece estar resolvido. Porém, quando ela entra em seu veículo, percebe que Layton a está esperando. Ele leva Drakes para seu esconderijo e fala sobre o poderoso traficante que ele era no passado. Logo após, Alex é baleada e acorda em 1981.
Não por acaso, ela encontra na Londres dos anos 80, Gene Hunt, Ray Carling e Chris Skelton. Depois de ler e reler os relatórios de Tyler, ela conhece esse universo mais do que ninguém. Além de ser a mais plausível das explicações para trazer Hunt e sua trupe de volta a ativa. Mas esse também acaba por ser o ponto fraco da série.
Grande parte da tensão presente em Life on Mars vinha do fato de Sam não saber sobre qual sua condição a maior parte do tempo (“Am I mad, in a coma or back in time?”), em Ashes esse mistério inexiste. Drakes sabe desde o começo que está em coma e os métodos para se comunicar com a realidade. Durante várias ocasiões, vemos ela assistindo a BBC depois do final da programação e/ou segurando um walkie-talkie, já que é sabido que cedo ou tarde ela terá notícias do mundo externo. Além disso, ao ver que Layton é um criminoso em ascensão em 1981, ela deduz que deve completar uma determinada missão para voltar a sua realidade (e é óbvio que tal tarefa não é simplesmente prender Layton, senão a série acabaria no primeiro episódio). Isso acaba por tornar o programa meio previsível do que deveria (apesar de que o palhaço* até consegue dar medinho).
Mas quem liga pra probleminhas como previsibilidade quando GENE HUNT está de volta? O rei das one-liners do mundo policial (te cuida, Capitão Nascimento) está com todo gás, e é com imenso prazer que ouvimos pérolas como:
Alex: “What’s so special about you, Gene? When good coppers go under, why do you appear?”
Gene: “It’s my aftershave.”
E se em Life on Mars, muito do humor vinha do choque de realidades vivido por Sam Tyler, agora a palavra de ordem é fazer referências (o que é uma grande sacada, já que os anos 80 são riquíssimos nesse sentido), sejam elas visuais (James Bond, Miami Vice) ou na forma de diálogos (Star Trek, Star Wars).
Por falar em Tyler, o que aconteceu com ele nessa realidade? Ele trabalhou sete anos ao lado de Hunt e morreu ao desobedecer uma ordem dele durante uma ação policial. Essa foi a razão de Gene e sua trupe se mudarem de Manchester para Londres. Mas, segundo Ray, o corpo dele nunca foi encontrado. Será que veremos ainda teremos notícias de Sam?
Ao final do episódio, vemos Alex gravar um monólogo que provavelmente servirá de abertura para os episódios posteriores:
“My name is Alex Drake. I’ve just been shot and that bullet has sent me back to 1981. I may be one second away from life or one second away from death. They say that as you die, your life flashes before you, all those memories and mistakes that form us. Well, bring it on. My life can flash away as much as it likes because I am not going to die. I’m coming back to you, Molly.”
*o tal palhaço (ou pierrot, para usar o termo correto) não foi uma escolha aleatória. Ele saiu diretamente do videoclip de Ashes to Ashes, canção de David Bowie. Viva a Internet 2.0.
As incríveis peripécias de Alex Drakes e Gene Hunt vão ao ar todas às quintas, às 9 da noite, na BBC1 da Inglaterra. Se o mundo for um lugar justo, Ashes to Ashes deve começar a ser exibida pela HBO Brasil ainda em 2008.



Nem lerei tudo ainda, pois não terminei LOM ainda, mas não sabia que tinha a Keeley Hawes nesse. Interessante.
Estava louco para assistir, ainda mais agora depois do seu ótimo comentário.
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Tentei postar no Teleseries e não deu certo. Espero conseguir aqui. Amei LOM. Ao ponto de estar na maior saudade de Sam Tyler. E sonhando em como seria bom poder voltar a 1973, sabendo o que sei hoje, e evidentemente, sem entrar em coma nem morrer. Estou torcendo que a HOB passe Ashes to Ashes. Mesmo sem Sam, será muito bom rever Gene Hunt, que, apesar da total grossura, é um dos melhores personagens de um telesérie que já vi. Muito valorizado pela grande atuação. Fico feliz também em ver que mais pessoas curtiram a série. Eu estava pensando que era só eu!