Agora a pouco o Paulinho veio me perguntar se eu já havia assistido os filmes de Oscar dessa temporada, e fiquei encucado de ainda não ter post sobre o assunto, já que costumo comentar sobre filmes nos foruns que participo. Vamos a eles:
(acredito que não haja spoiler de nenhum, mas se você for muito neurótico, só leia depois de assistir os filmes, etc etc etc)
Foi Apenas Um Sonho (Sam Mendes) – Já começa com o título brasileiro, que além de ser ruim por si só ainda é spoiler (a culpa é da distribuidora!). Quanto ao filme: Kate Winslet finalmente vai ganhar um Oscar (eles tão se coçando pra premiá-la). E o DiCaprio não está nada mal mesmo. A fotografia (Roger Deakins) é linda. Tirando isso…Que dialogos expositivos, puta que pariu. Não é a toa que a melhor cena do filme é o do café da manhã, provavelmente a única em que há mais coisas nas entrelinhas do que nos diálogos. O personagem do Michael Shannon não é nada mais que uma muleta narrativa pra ter certeza que a gente entendeu tudinho dos mastigados dialogos entre Kate e Leo. Se bem que eu entendo o motivo da April querer outra vida. O marido E o amante dela levam menos de 10 segundos pra gozar. Assim não há mulher que aguente (inserir risadas aqui).
Slumdog Millionaire (Danny Boyle) – não é surreal que o provável vencedor do Oscar não tenha nem data de estreia nem nome brasileiro ainda? É o trabalho de direção mais discreto de Danny Boyle até o momento, o que é meio triste, ja que parece que o cara ’se vendeu’ pra ganhar prêmios. É interessante notar que o famoso pêndulo do Oscar volta a funcionar: pela primeira vez em alguns anos, um clássico feel good movie vai levar o prêmio pra casa. E ainda tem o Anwar de Skins! Mas aviso: o irmão do protagonista (moldado a partir de um traficante de Cidade de Deus com redenção hollywoodiana no final) não é de fácil digestão.
Milk – A Voz da Igualdade (Gus Van Sant) – eu cheguei a postar piadinhas/comentários depreciativos sobre a orientação sexual do protagonista nos foruns em que participo. Pensando um pouco sobre isso, percebi que foi tudo por causa da desapontamento que senti por ver um filme sobre um ícone dos direitos civis gays ganhar um filme tão quadrado dirigido por um diretor tão não-quadrado! Veja bem, eu não tenho nada contra diretores feijão-com-arroz (verdade seja dita, eu gosto bastante de Gênio Indomável). Mas o cara vem com isso aqui depois de Last Days, Elefante e Paranoid Park é mais por pressão do estúdio e vontade de ganhar uns carequinhas do que opção artística. Mas o Sean Penn tá maravilhoso, nível 21 Gramas, etc. E segundo a Fer, o Franco tá um tesão, apesar do meu lado mulher ter outras preferências.
Frost Contra Nixon – A Luta Pela Democracia (Ron Howard) – ao contrário dos dois moçoilos acima, Ron Howard nunca fez filme difícil, e por essa razão esse aqui me soa bem mais honesto do que os dois acima. A analogia que a Fer fez comparando com um filme de esporte é muito boa, só faltou ela dizer que se trata de um filme de esporte bem esquemático, já que segue aquela velha regra do mocinho toma um pau o filme inteiro/mocinho se recupera no final*. Claro, tem todo um desenvolvimento, personagens secundários e o escambau, mas no fundo é basicamente isso. E mais duas palavras: Frank Langella. O vovô destrói (minha aposta pro clip que será usado no dia do Oscar: ele gritando com o Kevin Bacon no começo). E o Michael Sheen tá se tornando um dos melhores escadas do cinema, hein.
* não, não é spoiler. As entrevistas originais foram feitas a 30 anos. E é um filme do Ron Howard, pombas. Achou que o final seria diferente?



Desses ai, só não vi Slumdog que vou tentar ver hoje. Dos que vi, só não gostei de Milk. Assim como Dark Knight vale só pelo Heath Ledger, Milk vale só pelo Sean Penn.
Ainda assisti Gran Torino, acho que Clint Eastwood consegue uma merecida indicação de melhor ator.
AInda não vi Slumdog Millionaire e verei Foi apenas um sonho hoje, mas Milk e Frost/Nixon eu já vi.
Milk me deixou super desapontado também. Antes de ver o filme eu li tanta coisa boa a respeito que até acreditei que ia gostar do filme, mas pelo contrário, fiquei até entediado em algumas partes. Concordo que o Gus Van Sant deve ter feito sob pressão mesmo.
Já Frost/Nixon eu achei excelente, muito bem conduzido, fotografia correta, atuações inspiradíssimas, enfim.. até em termos do tema política o filme foi bem e se manteve interessante até o fim.