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Archive for the ‘Firefly’ Category

Get out of my boat!

Qual a série mais sabotada pela sua própria emissora, nos últimos anos? Arrested Development? Não. Commander-In-Chief? Negativo. A campeã nessa categoria chama-se Firefly. Ela foi esculhambada desde o começo: o piloto (que é brilhante) foi rejeitado pela FOX e Joss Whedon teve que gravar um outro às pressas. O programa era exibido as sextas, dia destinado à produções sem muito importância. O canal ainda conseguiu a proeza de exibir os episódios fora de ordem (pra se ter uma idéia, o último episódio exibido foi o piloto original, que tinha sido renegado).

Firefly conta a história da nave-transporte Serenity e de sua tripulação, comandada pelo Capitão Malcolm “Mal” Reynolds (Nathan Fillon), uma espécie de Han Solo dos Anos 2000. A série se passa em um futuro distante, onde a galáxia é governada pela Aliança Sino-Americana (sempre que você não entender o que algum personagem está dizendo, é chinês). Mal foi soldado na guerra entre a Aliança e os Independentes – que não aceitavam o controle dela. Como derrotado, ele conduz sua nave pelos confins do universo, a fim de não encontrar o menor número de autoridades possível. O que é um pré-requisito para o tipo de serviço que ele faz, quase qualquer coisa, “até mesmo trabalho honesto”, nas palavras do próprio Capitão.

Os outros membros do elenco incluem um pastor de origem misteriosa (Ron Glass), um jovem médico que protege sua irmã esquizofrênica (Sean Maher e Summer Glau). Ambos são procurados pelo governo, por razões desconhecidas. O trio se une à tripulação no elenco. Os outros são: Zoe (Gina Torres), segunda em comando da nave (ela lutou ao lado de Mal na guerra); Wash (Alan Tudyk), piloto e marido de Zoe; Jayne (Adam Baldwin), um mercenário disposto á fazer qualquer negocio; Kaylee Frye (Jewel Staite), a mecânica mais fofa do universo e Inara Serram (Morena Baccarin, brasileira), uma acompanhante (espécie de gueixa do século XXVI).

A atmosfera da série é um misto de sci-fi com western. Acreditem, funciona muito bem. O maior trunfo da produção é que ela atira para todos os lados, e acerta quase sempre. Apesar de ter uma orientação muito mais voltada para a aventura, ela não tem medo de tratar de outros assuntos. O diálogo entre Jayne e Mal sobre estátuas, no final de Jaynestown pode ser muito bem colocado em pé de igualdade com os momentos mais políticos de Battlestar Galactica. Outro tema recorrente é o sexo. Em Our Mrs. Reynolds, onde Mal se casa por engano. O roteiro desse episódio é considerado por Joss Whedon como o melhor que ele já escreveu. E dá pra entender perfeitamente o porque. Não me lembro de ter assistido uma série de TV Aberta tratar de forma tão aberta o assunto. Só o fato de a FOX ter exibido o dito cujo é motivo de admiração. Em outra ocasião, vemos um dos personagens falar a palavra proibida (para mais informações, assistir o episódio The Contest, de Seinfeld). E em ainda outra oportunidade, vemos uma das companhias de Inara, uma mulher – e ainda somos presenteados com algumas cenas da intimidade entre as duas (tá, isso é só meu lado machista-tarado falando).

Outro tema recorrente é o amor. Em princípio, o amor entre os personagens (Zoe e Wash, Kaylee e Simon, Mal e Inara). Mas também há o amor deles para com a nave, naquele que é o melhor episódio da série. Em Out of Gas, nada menos que três linhas narrativas são usadas para mostrar o possível fim do “barco” (como Mal chama sua embarcação, no melhor estilo pirata). São usados ainda flashbacks que mostram como cada um dos tripulantes conheceu Serenity. Os melhores segmentos são os que mostram a introdução de Jayne, que estava assaltando Mal, quando o último ofereceu uma participação maior nos lucros do que seu antigo patrão – que acabou levando um tiro na perna; e de Kaylee, que é mostrada transando com o antigo mecânico da nave, em pleno horário de trabalho (“motores a deixam excitada”, ele diz).

The Message é o encerramento não-oficial da série, com Mal e Zoe tendo que transportar o corpo de um ex-companheiro de exército até seu planeta natal. A última cena é a narração da tal mensagem enquanto ele é desembarcado. Todos muito tristes (até o Whedon tá no meio do pessoal, numa cameo). Mas o final mesmo é em Objects of Space, onde um caçador de recompensas com tendências psicopatas invade a Serenity para levar River. Objects é o episódio mais psicológico e metafórico da série, além de contar com um trabalho de direção impecável de Whedon, que está se tornando um especialista em travelings.

Com o final abrupto, algumas pontas obviamente ficaram soltas (Qual a origem de Book? Qual o tal segredo de River? Porquê Mal e Inara só ficam no chove-não-molha?). Algumas delas foram respondidas em Serenity (aka Big Damn Movie), outras infelizmente não. O que é uma pena, já que Firefly era o projeto mais adulto e pretensioso (no bom sentido) de Joss Whedon.

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On the next…post:

– Tudo que você queria saber sobre o Big Damn Movie (aka Serenity)!

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