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Archive for the ‘The West Wing’ Category


Texto originalmente publicado no Teleséries.

He is back, babe. Aaron Sorkin, midas da televisão americana, está com série nova no pedaço. Studio 60 On The Sunset Strip já tem a produção da primeira temporada completa confirmada e estréia por aqui em 2007.

Pra quem não conhece o trabalho de Sorkin, ele é um dos showrunners mais autorais da TV. Suas séries possuem personagens complexos, diálogos rápidos e humor do mais fino e inteligente, além de ser muito referencial (e auto-referencial). Seus universos são sempre ideais, e não reais. Explico: seus personagens são sempre mais trabalhadores, honestos e inteligentes que suas contrapartes reais.

Sorkin também anda na contramão da indústria. Depois de roteirizar dois filmes de grande sucesso de crítica – Questão de Honra e Meu Querido Presidente – decidiu que seu próximo projeto, sobre um telejornal esportivo, seria melhor aproveitado na televisão. É a origem de Sports Night, dramédia que catapultou as carreiras de Felicity Huffman (Desperate Housewives) e Peter Krause (A Sete Palmos). A série só durou duas temporadas. Depois de cancelada pela ABC, Sorkin recebeu diversas ofertas de outros canais para continuá-la. Mas ele preferiu se dedicar em tempo integral à próximo projeto.

Utilizando-se de diversos de diversos plots, partes do elenco e até mesmo dos cenários de Meu Querido Presidente, Sorkin criou sua obra prima: The West Wing, onde passamos a conhecer os bastidores da Casa Branca (usando o trocadilho do SBT). Depois de quatro temporadas (e quatro Emmys de melhor série – seguidos!), diferenças criativas fizeram com que ele fosse demitido da série pela NBC.

Três anos depois do roteiro dele ir ao ar (Twenty Four, a brilhante season finale da quarta temporada de West Wing), ele está de volta, mais em forma do que nunca. Studio 60, pra quem ainda não sabe, mostra os bastidores de um programa de comédia no estilo do Saturday Night Live. O elenco está recheado de estrelas: Matthew Perry (Friends), Bradley Whitford (The West Wing) e Amanda Peet (Jack & Jill) entre outros. Os convidados dos primeiros episódios incluem nomes de peso como Judd Hirsch (que tem um monólogo arrebatador no primeiro episódio), Christine Lahti e Eli Wallach.

O roteiro do piloto é nada menos do que espetacular. Cheio de piadas e auto-referências (os dois protagonistas são alter-egos dele). A direção de Thomas Schlamme, parceiro habitual de Sorkin não fica por menos. Ele consegue unir preciosismo estético e narrativo como nenhum outro diretor da TV atual. Ambos são nomes certos para o próximo Emmy.

Fica aí a dica: uma das séries mais quentes da nova temporada, Studio 60 On The Sunset Strip já tem estréia confirmada na Warner em 2007. Nem pense em perder.

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What’s Next?

Um dos maiores atrativos de Smallville é ver Lex ir de amigo (quase) fiel à nêmesis de Clark. Não é a parte técnica que faz de House uma das melhores séries dos últimos anos. O conjunto de mistérios não é o maior atrativo de Lost – talvez até seja para aquela parcela de espectadores que começa a abandonar a serie, ironicamente quando ela começa à respondê-los em número cada vez maior. O que faz de Dexter a série nova mais quente da atualidade definitivamente não é o fator investigação – tema que existe aos quilos na TV americana, CBS que o diga.

O que todos os exemplos acima tem em comum? São seriados que tratam com muito carinho de seus personagens (tá, ultimamente, Smallville vem falhando um pouco nisso). O que nos faz acompanhar uma história toda semana (seja ela uma trama continuada ou composta de episódios isolados) é a vida daquelas pessoas, sejam elas mocinhos, vilões, psicopatas ou simplesmente homens de fé.

E então chegamos ao tema de texto: The West Wing. A série nos joga dentro da Casa Branca. Um universo que, mesmo para nós que somos brasileiros, é fascinante. Mas como cenário não é tudo, o gênio Aaron Sorkin nos presenteia com alguns dos personagens mais fascinantes da história da televisão. Temos de um lado C.J. Cregg, assessora de impressa, que tem a função de passar a mensagem do governo aos jornalistas (e conseqüentemente às outras pessoas). Do outro temos Leo McGarry, chefe de gabinete e segundo homem mais poderoso do país – ou alguém achou que fosse o vice-presidente? E ainda tem o assessor pessoal do presidente, que nutre uma paixão por sua filha. O Sub-Chefe de Gabinete que tem uma relação com alto teor de tensão sexual com sua principal assistente. Tem também o Diretor de Comunicações e seu assessor, sempre na busca das melhores linhas para os discursos do Comandante-em-Chefe da nação.

E pra fechar com chave de ouro, tem o próprio presidente. Dedicado, honesto, trabalhador e com um senso de humor autodepreciativo que é delicioso. Jed Bartlet é o tipo de presidente que todos gostaríamos de ter, em qualquer país do mundo. Uma das maiores qualidades da série é justamente esse idealismo de Aaron Sorkin. Apesar do tratamento realista, seus universos são sempre como ele gostaria que eles fossem. Mas isso pode ser também uma faca de dois gumes. Se aqui isso funciona maravilhosamente bem, em Questão de Honra ele falha miseravelmente (por mais que a atuação de Jack Nicholson na hora de sua confissão seja brilhante, em nenhum momento eu consigo acreditar que um oficial da posição dele faria uma coisa daquelas).

Voltemos ao assunto do texto. Se a construção dos personagens Sorkianos já é maravilhosa, o desenvolvimento deles não fica por menos. Sempre usando diálogos rápidos e na maioria das vezes repletos de humor – são os famosos “walk-and-talks” – Sorkin nos torna íntimo deles e (aqui está o segredo) faz com que nos importemos com eles e seus dramas pessoais.

Como não é bobo, Sorkin sabe que suas criaturas precisam de espaço para brilhar, e para isso ele usa um artifício inteligentíssimo: os episódios centrados em determinados personagens (não, não foi JJ Abrams que inventou essa técnica). C.J. tem The Women of Qumar. Josh nos emociona com sua revelação em Noel. Toby demonstra que é capaz de ter sentimentos em In Excelsis Deo. Bartlet for America é um dos melhores estudos de personagem que a televisão já exibiu – estamos falando de Leo. E temos Two Cathedrals, em que Martin Sheen entrega certamente a melhor atuação de sua carreira, que é provavelmente uma das melhores da década. E não me refiro apenas à TV.

E eis que Sorkin é demitido pela emissora. É o fim da série para os mais xiitas – as famosas viúvas Sorkinianas. Eu não divido essa opinião. Claro, nem tudo são flores. Mas com o passar do tempo, os roteiristas foram engrenando e pegaram o jeito da coisa, chegando em diversos momentos ao mesmo nível de seu antecessor. (Particularmente, considero até mesmo a quinta temporada superior à terceira, que foi sonolenta até dizer chega, exceção feita ao For America já citado anteriormente).

Se tem uma área onde a série saiu ganhando na fase pós-Sorkin, é justamente na ideológica. Ele era assumidamente liberal – e isso era obviamente refletido na série. Com a saída dele, foram contratados vários roteiristas mais conservadores (leia-se: Republicanos) que serviram como uma espécie de contrapeso à WW. Tal influência pode ser claramente vista em episódios como The Supremes – onde ao lado de uma liberal tipicamente Sorkiniana (Glenn Close), temos um conservador tão brilhante quanto (William Fichter). Mas o exemplo mais claro dessa diversidade é obviamente a corrida presidencial nas duas últimas temporadas. Se o opositor de Bartlet na reeleição dele só faltava ter uma gargalhada maléfica, o Arnord Vinick de Alan Alda (brilhante) é na maior parte do tempo um candidato muito mais interessante do que o Matt Santos de Jimmy Smits (competente, mas sempre à sombra de seu adversário na ficção) – isso falado por alguém que, se morasse nos EUA, provavelmente seria um democrata.

Os episódios finais da série serviram para dar um encerramento à todos os personagens e subtramas das história. Em The Cold, vemos o primeiro beijo entre Josh e Donna (depois de sete anos!). Institutional Memory é o desfecho da relação conturbada entre CJ e Danny. Embora Toby não apareça em Tomorrow, sabemos que o episódio final da série é praticamente centrado nele. Mentira, a finale, apesar de mostrar quase todos os personagens, é, antes de qualquer coisa, centrado em Bartlet, triste e abatido – a cena onde ele abre o presente dado pela filha de Leo é tocante – por ter de deixar aquele que foi seu lar durante 8 longos anos, mas com a sensação de dever cumprido.

E assim termina uma das maiores séries de todos os tempos. Agora o que resta é correr atrás das outras coisas que ele fez antes de West Wing: Sports Night e The American President (filme que foi fonte de muitos dos conceitos da série). E Studio 60? Essa eu já estou vendo – e é uma das melhores coisas da nova temporada.

Modéstia à parte, até que esse texto não foi nada ruim, né? O melhor produto possível de uma noite particularmente frustrante, que culminou com a ingestão de uma daquelas lasanhas prontas congeladas por inteiro. Nada que escrever um pouco e que uma dose de sal de frutas não resolvam.

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– Terceira temporada de Veronica Mars começou. Ai ai…(suspiro longo)…

– E hoje começa Battlestar Galactica! Os trailers são de babar. Ver Edward James Olmos de bigode é algo que não tem preço, hehe.

– Bartlet fiadapota! Demite o Leo e o coitado ainda tem um infarto. Vem logo, próximo episódio…

Dexter tem a narração mais genial desde Beleza Americana.

– Clark Kent espirrando = cool.

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