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Archive for the ‘Criticas’ Category

Amigos

Qual a razão do apelo universal de Friends? Talvez seja pelo fato da série se passar em Nova York, cidade mais globalizada do mundo. Poderia ser também o casting, um dos melhores de todos os tempos (pra não dizer o melhor de todos os tempos). Ou quem sabe um cuidado todo especial no roteiro, fazendo com que todos nós nos importemos com aqueles personagens, tornando-nos amigos deles, e com isso, nos obrigando a acompanhá-los todas as semanas, mesmo quando as piadas não eram tão boas assim.

Na verdade, trata-se de uma combinação desses fatores. E eis que temos How I Met Your Mother, série do canal CBS (Fox Life no Brasil) que chegou para sanar os corações dos fãs em abstinência. Lendo-se a sinopse, pode-se até pensar que a semelhança entre ambas beira o plágio: grupo de amigos, na casa dos vinte e poucos, enfrentando momentos decisivos nas vidas amorosas e profissionais, etc. Mas assistindo alguns episódios, essa impressão logo se desfaz. Pra começar, a série toda é um grande flashback, contado do ponto de vista do pai (Ted Mosby, o protagonista) para seus dois filhos adolescentes (a história de como ele conheceu a mãe deles…).

Isso acaba dando uma grande liberdade para as histórias, já que elas não precisam seguir uma estrutura começo-meio-fim, podendo ir e voltar ao sabor da memória do Sr. Mosby, permitindo inúmeras possibilidades narrativas. HIMYM acaba também tendo muitas semelhanças com outra sitcom imortal, Seinfeld, já que existem diversos “episódios-conceito”, como The Limo, que se passa quase por inteiro dentro de uma limusine ou Brunch, onde a mesma história é apresentada três vezes, cada uma delas do ponto de vista de um personagem diferente. Tamanha liberdade acaba por fazer com que as tradicionais risadas presentes no formato tenham que ser adicionadas posteriormente, com o episódio já editado, já que tamanho vai-e-vem acabaria por deixar muitas piadas sem sentido para quem assiste às gravações. Isso torna HIMYM muito mais relacionada com o bloco “quintal” da NBC (OfficeEarl30Scrubs) do que com suas companheiras de segunda-feira da CBS (MenChristine), que adotam um formato mais tradicional.

O elenco acaba por ser o ponto “menos forte” da série. Jason Segel, Josh Radnor e Cobie Smulders (que é uma fofura) são atores competentes, mas não muito mais que isso. Os destaques acabam sendo Alysson Hannigan (que já tinha um timing cômico excepcional desde os tempos de Buffy) e Neil Patrick Harris.

Harris merece um parágrafo só pra falar dele, inclusive. Tá certo que ele provavelmente tem o personagem melhor roteirizado de todos, um nerd-pegador (!) fanático por ternos e cujo emprego é um mistério para todos (herança de Chandler?). Mas ele consegue roubar a cena em simplesmente todos os episódios, mesmo quando o seu Barney (ou seria Swarley?) apenas tangencia a trama principal. Palmas para ele, um dos melhores comediantes em atividade na televisão (e eu estou falando de uma mídia que abriga monstros como Alec Baldwin, Steve Carell e Julia Louis-Dreyfus, vejam vocês).

O ponto é: mexam esses traseiros gordos e assistam essa pérola do humor contemporâneo. Sei que quase ninguém aqui no Brasil tem acesso à Fox Life, mas isso não é desculpa. Quem tem tempo pra assistir Heroes (que já risquei da minha lista, a propósito) tem também pra assistir HIMYM. Sem mais.

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As séries do canal americano FX sempre lidam com temas dos mais delicados. E mais uma vez eles acertaram na mosca: uma revista de fofocas, e sua relação promíscua com as celebridades é um prato cheio para mais uma ótima investida. Mas dessa vez parece que ficou faltando algo no meio do caminho…

Não, não pensem que Dirt é essa bomba toda que a mídia americana vem anunciando (aliás, parece que eles estão mais interessados na manutenção da “Friends Curse” pra continuarem fazendo notícia, numa rima não intencional com o próprio tema da série em questão).

Dirt é centrada em Lucy Spiller (Cox), editora-chefe de duas revistas: a Now, com conteúdo mais light e a Drrt (se escreve assim mesmo), que é onde a merda é jogada no ventilador de fato. O ponto fraco da série é justamente ela. Atenção, fãs da atriz: a culpa, pelo menos no primeiro momento, não parece ser dele. Aqueles que acompanham TV sabem que ela está cheia de protagonistas fortes (Veronica Mars, House, Jack Bauer, Dexter, a lista vai longe), a Spiller tenta desde o princípio se incluir nesse grupo, e o roteiro joga diversas características para que nós possamos identificá-la, mas no final do episódio fica aquela impressão de “Quem é ela?”. Ela trabalha demais, pratica sexo casual, consome cocaína pra combater a solidão e… é isso. Ela tem várias cenas isoladas, mas lhe faltou um arco dramático consistente.

Quem realmente teve os tais arcos foram dois coadjuvantes. Holt McLaren (Josh Stewart, o melhor em cena) é um ator em decadência que se vê obrigado à se vender para a revista à fim de tentar ressuscitar sua carreira (sua outra alternativa seria participar do Dancing With the Stars, referência esperta do roteiro). Sua namorada é interpretada pela (muito, muito) linda Laura Allen. A seqüência dos dois na boate pode ser considerada desde já a turn on scene do ano. Assistam e entenderão.

Outro coadjuvante com boa participação é Don Konkey (Ian Hart). Ele é um fotógrafo esquizofrênico (!), o que sempre gera uma divertida tensão na hora dele executar suas tarefas (ele terá ou não uma crise?). Cenas dele pirando o cabeção infelizmente aparecem em excesso, e pior, diversas seqüências com “palavras flutuantes” fazem uma referência-que-mais-parece-plágio com Uma Mente Brilhante.

Por falar nisso, Dirt, em seu aspecto visual, flerta perigosamente com o brega. Além das letrinhas saltitantes, temos a seqüência inicial com as capas de revistas imaginadas pro Spiller e as conversas por mensagem de texto. O defensor mais ortodoxo da série diria que é uma sátira ao glamour de Hollywood. Pra mim pareceu descuido de pós-produção. E a cena de Holt salvando sua (linda, linda) namorada você já assistiu recentemente – o que também é grave, já que a fonte em si nem era a seqüência mais original do universo.

Resta ao showrunner Matthew Carnahan (cuja maior credencial é o guilty pleasure Fastlane) saiba como tocar o barco. Torçamos por ele.

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Texto publicado originalmente no Teleséries.

Já participei de diversas discussões, tanto aqui no Teleséries quanto em outros sites sobre o tema Cinema X TV. Por incrível que pareça ainda tem gente que simplesmente joga as séries em um patamar abaixo, fechando os olhos para o enorme salto de qualidade (tanto técnico quanto narrativo) que a mídia vem tendo nos últimos anos. E um dos argumentos mais interessantes sobre esse “conflito” é que até mesmo a premiação da TV está se mostrando mais liberal/mente-aberta do que sua contraparte cinematográfica. Vejamos: o Oscar preferiu não dar ao prêmio ao filme que retrata o amor de dois homens (Brokeback Mountain) e entregou-o ao drama racista sobre o racismo (Crash). Uma saída completamente covarde. Enquanto isso, o Emmy premia 24 Horas – série de ação com grande crítica política. Seria muito mais fácil escolher Grey’s Anatomy (que também é uma ótima série, mas não é esse o ponto), drama o sobre a vida – sexual – de médicos internos de um hospital.

Alguns das razões que confirmam o acerto da premiação para 24 Horas este ano:

A série possui cenas de ação com produção e ritmo e cinematográficas – ou até mesmo superiores, já que aqui não temos irritantes câmeras lentas (Michael Bay) ou uma edição altamente masturbatória (Tony Scott), apenas para citar dois, errrr, ícones dos filmes do gênero. Jon Cassar ganhou o Emmy de melhor diretor em série dramática, a prova de que firulas demais são desnecessárias para deixar o espectador instigado.

Além disso, o protagonista é o asskicker-mor do audiovisual na atualidade: Jack Bauer, carinhosamente chamado de Deus por espectadores mais fanáticos (\o/), ele começou a série “apenas” como um agente federal dos mais competentes, mas com o tempo foi se tornando uma “máquina de resultados” de um frieza assustadora, frieza essa causada por causa da sucessão de eventos própria série – daí a genialidade do trabalho de composição de Kiefer Sutherland. Ele é a mola propulsora da série, tanto que anda influenciando diversos personagens do cinema. Ou alguém ainda não sabe da onde saíram as novas roupagens de Missão Impossível – que pegou mais coisas de Alias, por causa de J.J., mas tá valendo – e – agora sim – James Bond?

Dificilmente o Emmy seria entregue para algo “descerebrado”. Ou seja, a ação pela ação não garantiria nada. Mas eis que entra o mais delicado dos ingredientes: a subtexto político. Depois de quatro temporadas onde terroristas de todas as partes do globo foram usados como ameaça aos EUA – a série deu uma de suas guinadas mais inteligentes e ao mostrar que o perigo pode vim da própria Casa Branca, numa sensação que várias pessoas, principalmente quem não mora por lá, sente todos os dias. Gregory Itzin, na melhor interpretação de sua vida (daquelas que a gente nem precisa ver as outras pra afirmar isso), criou a simbiose perfeita entre Bush e Nixon – refletindo o que um grande número de pessoas pensa de seus governantes, não só os EUA. E o pior/melhor de tudo: ele é facilmente o mais real dentre os presidentes da série, já que não é excessivamente (e utopicamente) correto como David Palmer (e Keeler não chegou a aparecer muito).

Ainda por cima, há o fator “conjunto da obra”, que aqui cai que é uma beleza, já que além de reconhecer os cinco anos de trabalho (da mesma forma que Família Soprano em 2004), o prêmio vai pra aquela que foi realmente a melhor série da temporada.

Foram dois anos seguidos em que o Emmy fez justiça. Mas esse ano a coisa parece ser mais difícil, já que algumas das melhores séries da temporada estão em canais menores, como Battlestar Galactica (Sci-Fi) e Dexter (Showtime). Se bem que a sexta temporada de 24 Horas chega em janeiro nos EUA e em março no Brasil. Até lá, as coisas devem mudar. Ou você ainda duvida da força do “Drop the Gun!”?

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What’s Next?

Um dos maiores atrativos de Smallville é ver Lex ir de amigo (quase) fiel à nêmesis de Clark. Não é a parte técnica que faz de House uma das melhores séries dos últimos anos. O conjunto de mistérios não é o maior atrativo de Lost – talvez até seja para aquela parcela de espectadores que começa a abandonar a serie, ironicamente quando ela começa à respondê-los em número cada vez maior. O que faz de Dexter a série nova mais quente da atualidade definitivamente não é o fator investigação – tema que existe aos quilos na TV americana, CBS que o diga.

O que todos os exemplos acima tem em comum? São seriados que tratam com muito carinho de seus personagens (tá, ultimamente, Smallville vem falhando um pouco nisso). O que nos faz acompanhar uma história toda semana (seja ela uma trama continuada ou composta de episódios isolados) é a vida daquelas pessoas, sejam elas mocinhos, vilões, psicopatas ou simplesmente homens de fé.

E então chegamos ao tema de texto: The West Wing. A série nos joga dentro da Casa Branca. Um universo que, mesmo para nós que somos brasileiros, é fascinante. Mas como cenário não é tudo, o gênio Aaron Sorkin nos presenteia com alguns dos personagens mais fascinantes da história da televisão. Temos de um lado C.J. Cregg, assessora de impressa, que tem a função de passar a mensagem do governo aos jornalistas (e conseqüentemente às outras pessoas). Do outro temos Leo McGarry, chefe de gabinete e segundo homem mais poderoso do país – ou alguém achou que fosse o vice-presidente? E ainda tem o assessor pessoal do presidente, que nutre uma paixão por sua filha. O Sub-Chefe de Gabinete que tem uma relação com alto teor de tensão sexual com sua principal assistente. Tem também o Diretor de Comunicações e seu assessor, sempre na busca das melhores linhas para os discursos do Comandante-em-Chefe da nação.

E pra fechar com chave de ouro, tem o próprio presidente. Dedicado, honesto, trabalhador e com um senso de humor autodepreciativo que é delicioso. Jed Bartlet é o tipo de presidente que todos gostaríamos de ter, em qualquer país do mundo. Uma das maiores qualidades da série é justamente esse idealismo de Aaron Sorkin. Apesar do tratamento realista, seus universos são sempre como ele gostaria que eles fossem. Mas isso pode ser também uma faca de dois gumes. Se aqui isso funciona maravilhosamente bem, em Questão de Honra ele falha miseravelmente (por mais que a atuação de Jack Nicholson na hora de sua confissão seja brilhante, em nenhum momento eu consigo acreditar que um oficial da posição dele faria uma coisa daquelas).

Voltemos ao assunto do texto. Se a construção dos personagens Sorkianos já é maravilhosa, o desenvolvimento deles não fica por menos. Sempre usando diálogos rápidos e na maioria das vezes repletos de humor – são os famosos “walk-and-talks” – Sorkin nos torna íntimo deles e (aqui está o segredo) faz com que nos importemos com eles e seus dramas pessoais.

Como não é bobo, Sorkin sabe que suas criaturas precisam de espaço para brilhar, e para isso ele usa um artifício inteligentíssimo: os episódios centrados em determinados personagens (não, não foi JJ Abrams que inventou essa técnica). C.J. tem The Women of Qumar. Josh nos emociona com sua revelação em Noel. Toby demonstra que é capaz de ter sentimentos em In Excelsis Deo. Bartlet for America é um dos melhores estudos de personagem que a televisão já exibiu – estamos falando de Leo. E temos Two Cathedrals, em que Martin Sheen entrega certamente a melhor atuação de sua carreira, que é provavelmente uma das melhores da década. E não me refiro apenas à TV.

E eis que Sorkin é demitido pela emissora. É o fim da série para os mais xiitas – as famosas viúvas Sorkinianas. Eu não divido essa opinião. Claro, nem tudo são flores. Mas com o passar do tempo, os roteiristas foram engrenando e pegaram o jeito da coisa, chegando em diversos momentos ao mesmo nível de seu antecessor. (Particularmente, considero até mesmo a quinta temporada superior à terceira, que foi sonolenta até dizer chega, exceção feita ao For America já citado anteriormente).

Se tem uma área onde a série saiu ganhando na fase pós-Sorkin, é justamente na ideológica. Ele era assumidamente liberal – e isso era obviamente refletido na série. Com a saída dele, foram contratados vários roteiristas mais conservadores (leia-se: Republicanos) que serviram como uma espécie de contrapeso à WW. Tal influência pode ser claramente vista em episódios como The Supremes – onde ao lado de uma liberal tipicamente Sorkiniana (Glenn Close), temos um conservador tão brilhante quanto (William Fichter). Mas o exemplo mais claro dessa diversidade é obviamente a corrida presidencial nas duas últimas temporadas. Se o opositor de Bartlet na reeleição dele só faltava ter uma gargalhada maléfica, o Arnord Vinick de Alan Alda (brilhante) é na maior parte do tempo um candidato muito mais interessante do que o Matt Santos de Jimmy Smits (competente, mas sempre à sombra de seu adversário na ficção) – isso falado por alguém que, se morasse nos EUA, provavelmente seria um democrata.

Os episódios finais da série serviram para dar um encerramento à todos os personagens e subtramas das história. Em The Cold, vemos o primeiro beijo entre Josh e Donna (depois de sete anos!). Institutional Memory é o desfecho da relação conturbada entre CJ e Danny. Embora Toby não apareça em Tomorrow, sabemos que o episódio final da série é praticamente centrado nele. Mentira, a finale, apesar de mostrar quase todos os personagens, é, antes de qualquer coisa, centrado em Bartlet, triste e abatido – a cena onde ele abre o presente dado pela filha de Leo é tocante – por ter de deixar aquele que foi seu lar durante 8 longos anos, mas com a sensação de dever cumprido.

E assim termina uma das maiores séries de todos os tempos. Agora o que resta é correr atrás das outras coisas que ele fez antes de West Wing: Sports Night e The American President (filme que foi fonte de muitos dos conceitos da série). E Studio 60? Essa eu já estou vendo – e é uma das melhores coisas da nova temporada.

Modéstia à parte, até que esse texto não foi nada ruim, né? O melhor produto possível de uma noite particularmente frustrante, que culminou com a ingestão de uma daquelas lasanhas prontas congeladas por inteiro. Nada que escrever um pouco e que uma dose de sal de frutas não resolvam.

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Atenção: o texto à seguir possui spoilers da segunda temporada de Prison Break, ainda inédita no Brasil. Se você não quer saber de nada antes de assistir, não leia!

Uma crítica recorrente feita à séries que apresentam uma mudança drástica em sua estrutura é “Ah, não gostei porque mudou…”. Sinto informar, mas isso não é argumento nem aqui nem na China. Quem disse que o programa é obrigado a manter a mesma sistemática por toda sua existência? Em princípio, sou a favor de mudanças, pois elas demonstram coragem por parte dos produtores e roteiristas que estão dispostos a experimentar novas fórmulas a favor da história. O caso clássico disso é Battlestar Galactica, que no final da segunda temporada, abandonou quase por completo as naves. Tudo em favor de uma reviravolta que, além de fazer muito sentido do ponto de vista narrativo, aproveita pra alfinetar a política externa do Tio Sam. O caso de Prison Break é mais delicado. A mudança de ares (no caso, representada pela fuga da prisão) foi conseqüência natural da história. Foi algo quase obrigatório. Uma dificuldade de última hora, além de ser frustrante para os espectadores, seria um autoplágio – o mesmo artifício havia sido usado em End of The Tunnel.

Porém, os roteiristas de Prison Break parecem não ter encontrado a dinâmica correta pra essa segunda temporada. A cada semana, somos presenteados com alguma reviravolta ou cliffhanger, cujo único objetivo é nos fazer exclamar um “Oh…”, mas que não fazem muito sentido à história. Por um lado, vale o esforço de não querer encerrar todos os episódios com os fugitivos sendo quase capturados pela polícia. Mas a ferramenta pra substituir a atmosfera ameaçadora de atrás das grades ainda não foi encontrada. Para tentar conferir mais tensão à série, eles estão ferrando com o desenvolvimento dos personagens. Que Burrows não ia ter cérebro suficiente pra perceber que a libertação de seu filho é uma armadilha do “sistema” não é nada surpreendente. Mas desde quando Scofield não perceberia isso? Ele não era um gênio? Outro caso é do Agente Mahone, interpretado pelo competente Wiliam Fichter. Ao invés de ser perturbado pelo seu passado, ele é…um lacaio do governo?! Putz!

E tem também as mortes. Veronica pode até ter merecido levar uma bala na cabeça (ela achou que ia invadir a casa do pivô de toda uma crise do governo e que conseguiria sair facilmente?). O pai da Dra. Sarah já é outra história. O cara era Governador do Estado, quase se tornou vice-presidente dos EUA, e ninguém faz nenhuma investigação depois de um suicídio pra lá de suspeito? E nada me tira da cabeça que a morte de Abruzzi tem muito mais a ver do que obrigações contratuais de Peter Stormare do que com alguma preocupação com a história.

Já que falamos do Stormare, um cuidado maior na hora da segurar o elenco contratado não faria mal a ninguém. Estamos prestes a assistir a segunda (que na verdade é a terceira) interprete de Maricruz, namorada de Sucre. A atual foi pra The Nine. Mas se ela não é assim tão importante pra história, o mesmo não pode ser dito sobre a atual Presidente (Patrícia Wettig). Ela é a responsável pelo inferno em que a vida dos fugitivos se tornou, dammed. Tá, ela é personagem fixa em Brothers and Sisters, mas a Sally Field também é, e mesmo assim apareceu em ER. Com um pouquinho de boa vontade (leia-se: $$$) e tudo é possível.

Um dos spoilers mais divulgados da série diz que os fugitivos serão recapturados e voltarão ao presídio na terceira temporada. Já não era sem tempo.

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Get out of my boat!

Qual a série mais sabotada pela sua própria emissora, nos últimos anos? Arrested Development? Não. Commander-In-Chief? Negativo. A campeã nessa categoria chama-se Firefly. Ela foi esculhambada desde o começo: o piloto (que é brilhante) foi rejeitado pela FOX e Joss Whedon teve que gravar um outro às pressas. O programa era exibido as sextas, dia destinado à produções sem muito importância. O canal ainda conseguiu a proeza de exibir os episódios fora de ordem (pra se ter uma idéia, o último episódio exibido foi o piloto original, que tinha sido renegado).

Firefly conta a história da nave-transporte Serenity e de sua tripulação, comandada pelo Capitão Malcolm “Mal” Reynolds (Nathan Fillon), uma espécie de Han Solo dos Anos 2000. A série se passa em um futuro distante, onde a galáxia é governada pela Aliança Sino-Americana (sempre que você não entender o que algum personagem está dizendo, é chinês). Mal foi soldado na guerra entre a Aliança e os Independentes – que não aceitavam o controle dela. Como derrotado, ele conduz sua nave pelos confins do universo, a fim de não encontrar o menor número de autoridades possível. O que é um pré-requisito para o tipo de serviço que ele faz, quase qualquer coisa, “até mesmo trabalho honesto”, nas palavras do próprio Capitão.

Os outros membros do elenco incluem um pastor de origem misteriosa (Ron Glass), um jovem médico que protege sua irmã esquizofrênica (Sean Maher e Summer Glau). Ambos são procurados pelo governo, por razões desconhecidas. O trio se une à tripulação no elenco. Os outros são: Zoe (Gina Torres), segunda em comando da nave (ela lutou ao lado de Mal na guerra); Wash (Alan Tudyk), piloto e marido de Zoe; Jayne (Adam Baldwin), um mercenário disposto á fazer qualquer negocio; Kaylee Frye (Jewel Staite), a mecânica mais fofa do universo e Inara Serram (Morena Baccarin, brasileira), uma acompanhante (espécie de gueixa do século XXVI).

A atmosfera da série é um misto de sci-fi com western. Acreditem, funciona muito bem. O maior trunfo da produção é que ela atira para todos os lados, e acerta quase sempre. Apesar de ter uma orientação muito mais voltada para a aventura, ela não tem medo de tratar de outros assuntos. O diálogo entre Jayne e Mal sobre estátuas, no final de Jaynestown pode ser muito bem colocado em pé de igualdade com os momentos mais políticos de Battlestar Galactica. Outro tema recorrente é o sexo. Em Our Mrs. Reynolds, onde Mal se casa por engano. O roteiro desse episódio é considerado por Joss Whedon como o melhor que ele já escreveu. E dá pra entender perfeitamente o porque. Não me lembro de ter assistido uma série de TV Aberta tratar de forma tão aberta o assunto. Só o fato de a FOX ter exibido o dito cujo é motivo de admiração. Em outra ocasião, vemos um dos personagens falar a palavra proibida (para mais informações, assistir o episódio The Contest, de Seinfeld). E em ainda outra oportunidade, vemos uma das companhias de Inara, uma mulher – e ainda somos presenteados com algumas cenas da intimidade entre as duas (tá, isso é só meu lado machista-tarado falando).

Outro tema recorrente é o amor. Em princípio, o amor entre os personagens (Zoe e Wash, Kaylee e Simon, Mal e Inara). Mas também há o amor deles para com a nave, naquele que é o melhor episódio da série. Em Out of Gas, nada menos que três linhas narrativas são usadas para mostrar o possível fim do “barco” (como Mal chama sua embarcação, no melhor estilo pirata). São usados ainda flashbacks que mostram como cada um dos tripulantes conheceu Serenity. Os melhores segmentos são os que mostram a introdução de Jayne, que estava assaltando Mal, quando o último ofereceu uma participação maior nos lucros do que seu antigo patrão – que acabou levando um tiro na perna; e de Kaylee, que é mostrada transando com o antigo mecânico da nave, em pleno horário de trabalho (“motores a deixam excitada”, ele diz).

The Message é o encerramento não-oficial da série, com Mal e Zoe tendo que transportar o corpo de um ex-companheiro de exército até seu planeta natal. A última cena é a narração da tal mensagem enquanto ele é desembarcado. Todos muito tristes (até o Whedon tá no meio do pessoal, numa cameo). Mas o final mesmo é em Objects of Space, onde um caçador de recompensas com tendências psicopatas invade a Serenity para levar River. Objects é o episódio mais psicológico e metafórico da série, além de contar com um trabalho de direção impecável de Whedon, que está se tornando um especialista em travelings.

Com o final abrupto, algumas pontas obviamente ficaram soltas (Qual a origem de Book? Qual o tal segredo de River? Porquê Mal e Inara só ficam no chove-não-molha?). Algumas delas foram respondidas em Serenity (aka Big Damn Movie), outras infelizmente não. O que é uma pena, já que Firefly era o projeto mais adulto e pretensioso (no bom sentido) de Joss Whedon.

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On the next…post:

– Tudo que você queria saber sobre o Big Damn Movie (aka Serenity)!

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Loved by Mary Lane…

Reefer Madness (dir: Andy Fickman; 2005)

Década de 30. Surge uma nova droga nos EUA, a marijuana. Pouco tempo depois surge um filme com o objetivo de impedir o avanço da substância. Com o nome de Reefer Madness, ele conta a trágica história de um casal, que caiu em desgraça graças ao uso desregrado da erva. O exagero e o melodrama são usados como estratégias para apavorar os pais da época (o título alternativo era Tell Your Childrem!). Até hoje existe mistério sobre quem patrocinou o filme. Uns dizem que foi a Igreja. Já outros atribuem o título ao magnata do jornalismo William Randolph Hearst (aka Cidadão Kane).

Como era de se esperar, a produção caiu no esquecimento. Na década de 70, o filme foi redescoberto e passou a ser exibido nas famosas sessões da meia-noite, espaço dedicado à filmes cult e/ou camp. (naquela época, o exagero da propaganda anti-maconha de Reefer já saltava aos olhos).

Chegando aos dias de hoje: uma versão teatral do filme fez sucesso na off-Broadway. A peça, um musical, faz piada em cima do absurdo de sua fonte. Com o sucesso, uma versão em forma de filme era questão de tempo. Ela saiu do papel e foi ao ar pelo Showtime (que também é a emissora de Huff e Weeds, o que garante o título informal de canal mais chapado dos EUA) em 2005.

Assim como o original, o filme é sobre a trágica história de Jimmy Harper e Mary. Aproveitando-se do material, o musical investe pesado na ironia, como na seqüência em que o narrador do filme (Alan Cumming) discute com um pai preocupado (a trama do casal é um filme-dentro-do-filme) sobre como a “Maconha é a droga mais perigosa de todas! Mais até do que a heroína!”. Ou as diversas ocasiões em que William Hearst é citado (“Os dados foram obtidos através de fontes confiáveis: os jornais do Sr. Hearst!”). Diversos personagens, incluindo o presidente Franklin Roosevelt (Cumming, novamente) aparecem fumando cigarros comuns, como se não fosse nada demais.

Todas as atuações devem ser colocadas dentro do contexto do filme. Caricatas e exageradas. Christian Campbell interpreta Jim Harper da forma mais sonhadora possível. Já Kristen Bell vive uma personagem que é quase uma antítese de sua Veronica Mars: ingênua e fútil. O filme ainda contém outros personagens como o traficante de Steven Weber ou o junkie (divertidíssimo) de John Kassir. O filme ainda tem a presença de Jesus. Mas não vou falar demais senão estraga a surpresa de quem ainda não assistiu…

As músicas são, em sua maioria, deliciosas. Por falar nisso, alguém sabia que Kristen Bell tem um Emmy? Na verdade é um prêmio de melhor canção, cujo premiado é o compositor da canção (“Mary Jane/Mary Lane”). Mas é ela que canta no filme. Ou seja, não custa sonhar, né?

A direção de Andy Fickman (que também dirigiu a peça) é correta. Seu momento de maior criatividade é o número inicial, que simula um filme de zumbis. Mas o trabalho de Fickman peca num ponto fundamental: ele não faz questão nenhuma de esconder qual é a origem do filme. A câmera está sempre na platéia, ao invés de passear pelo cenário (comparem com Moulin Rouge e verão a difirença).

Apesar de acabar um pouco depois do que deveria (toda àquela seqüência de redenção de certos personagens deve funcionar muito melhor no teatro do que aqui), Reefer Madness funciona muito bem como sátira e como musical. Ah, a voz de Kristen Bell…

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